Foto: Vinicius Becker (Diário)
Criação da comissão especial foi oficializada na sessão plenária de terça-feira
A Câmara de Vereadores de Santa Maria constituiu, na terça-feira (24), uma comissão especial de acompanhamento do contrato firmado entre a prefeitura e a Corsan, empresa atualmente operada pelo Grupo Aegea. O objetivo é fiscalizar a prestação dos serviços de abastecimento de água e esgoto sanitário no município, além de apurar denúncias de cobranças consideradas abusivas por moradores.
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A comissão será presidida pelo vereador Tubias Calil (PL), autor da proposta. Também integram o grupo Helen Cabral (PT), que recebeu quatro indicações, e Marcelo Bisogno (União Brasil), com oito indicações.
“Nós temos um problema, e este problema tem que ser resolvido”
Durante a sessão, Tubias Calil defendeu a criação do colegiado e destacou o aumento expressivo nas reclamações da população. Segundo ele, a comissão surge como uma tentativa inicial de diálogo com a concessionária, mas não descarta medidas mais duras caso não haja respostas.
– Nós temos um problema, e este problema tem que ser resolvido. Não há um exagero na minha fala, não há oportunismo. A cidade está impregnada de cobranças abusivas, com contas que triplicaram do dia para a noite. Esta comissão vem ao encontro do diálogo, mas, se não houver respeito da Corsan/Aegea, eu vou tomar outra atitude – afirmou o vereador.
Na tribuna, o parlamentar apresentou exemplos de contas de água de moradores de Santa Maria que tiveram aumentos significativos, em alguns casos com valores dobrados ou até triplicados. Ele também relatou situações de falta de abastecimento em diferentes regiões da cidade, o que, segundo ele, agrava ainda mais a insatisfação dos usuários.
Outro ponto levantado foi a suposta falta de investimentos na rede, o que, segundo o vereador, estaria causando rompimentos frequentes de tubulações e desperdício de água – custos que, conforme denunciou, acabam sendo repassados aos consumidores.
A comissão especial terá como função acompanhar a execução do contrato, cobrar esclarecimentos da empresa e ampliar a fiscalização sobre os serviços prestados no município.
CPI encerrada
Em fevereiro de 2025, o vereador Tubias Callil instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Corsan. No entanto, a Câmara de Vereadores encerrou a comissão após o término do prazo regimental, em junho do mesmo ano.
Segundo a Casa Legislativa, a CPI tinha duração prevista de 90 dias para a realização das investigações, mas não houve solicitação de prorrogação dentro do período legal. Com isso, os trabalhos foram oficialmente encerrados.
O objetivo da comissão era apurar possíveis irregularidades na cobrança de valores considerados elevados nas contas de água, além das frequentes faltas de abastecimento registradas na cidade.
A comissão era presidida por Calil, com Sergio Cechin (Progressistas) como vice-presidente e Helen Cabral na relatoria.
O que diz a Corsan
Procurada pela reportagem, a Corsan informou que, até esta quarta-feira (25), ainda não foi comunicada oficialmente sobre a criação da comissão da Câmara. A companhia acrescentou que permanece à disposição do Legislativo e dos órgãos fiscalizadores, manifestando interesse em prestar todos os esclarecimentos necessários.